Qualquer coisa (desa)parecida

13/10/2005

Lembranças de vidro

Eram de vidro. Quebraram. Milhões de pedaços. Que cortam. Machucam. Brilham.

Eu evito. Quase sempre.

Mas são pedaços. E tropeço. Corto os pés. As mãos.

Eu desisti do amor. Faz tempo.

São só pedaços.

Vão passar.

Vou juntar. Jogar fora.

Eles rasgam o saco.

Do lixo.

Ai.


Escrito por Chica às 22h49
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07/10/2005

O medo

"... ficou o medo de ficar vazio demais meu coração..."

E aí eu voltei a música pra ouvir de novo. E ela disse de novo "foi, o amor se foi perdido." Foi. Foi assim mesmo. Um mês e uma semana. E tudo bem. E que aflição. Foi. Não é mesmo a dor que me entristece. Eu não sei se estou triste. Estarei?

E aí a vida, como num CD, começa a mudar de assunto. E pergunta "em que paraíso distante a vida espera por mim?". :-)

 

 


Escrito por Chica às 00h15
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04/10/2005

Prolongando o assunto

Não, eu não me poupo. Sinto cada dor até o fim. E como doem as dores. Todas elas, às vezes uma por vez, às vezes todas de uma vez. Não, eu não evito. Eu não deixo de dizer. Eu erro até o fim. E volto. Arrependo. Muito. Corro de volta. Grito. Choro. Arrisco todos os riscos. Meu Deus, a alegria está do outro lado da rua... Como não atravessar? Como não correr perigo. "Tudo é perigoso. Tudo é divino maravilhoso". Não, eu não me poupo. Nem das alegrias. Das emoções. Que bom te ver, que saudade. Eu rio até o fim. Eu amo a Vaca Profana. Eu respeito minhas lágrimas e muito mais minha risada. "Caretas de Paris e NY... sem mágoas estamos aí... eeeeeeeeeee... ;-)"


Escrito por Chica às 23h22
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Dna Laís

Ah

E não é que eu lembrei dela?

Como era mesmo?

Cabeças refratárias... ou algo assim.

Não adianta falar. Nada entra. Nada sai.

Ah

Que tristeza. "E hoje em dia como é que se diz eu te amo?"

Cansei de novo de tantas palavras. Falamos, cada um, nossa própria língua. Somos incomunicáveis. Cada um tem tantas razões para estar certo e não ouvir.

O que podemos fazer? Muita coisa. Muita coisa. Podemos brigar, chorar, falar, correr atrás. Podemos nos machucar. Podemos nos importar... podemos nos rasgar, virar pedaços. Sim, nós podemos. E é tudo o que podemos. 

Há quem possa se poupar.

Há.

Eu não me poupo.

 


Escrito por Chica às 23h10
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21/09/2005

Fuga

Eu espero. Espero pra ver. Espero pra viver. Eu espero. Ensaio palavras. Como se elas precisassem de tempo para crescer. Ensaio. Penso. Esqueço. Minhas palavras combinadas lindas e perfeitas fogem. Como segurar?

 


Escrito por Chica às 22h00
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Cheia de vazio

 
A terceira semana passou. Vazia. Senti saudade. Lembrei da música "já estou cheio de me sentir vazio". Só penso em trabalho, 100% do tempo. Se visse, acho que diria que está vendo a sua vida na minha. De novo. Eu te chamava de basset ruivo. Hoje vou pensar em você como o quati do Amor Conquistado. Conquistado? Não me lembro, não é jogo de palavras.

Escrito por Chica às 21h56
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13/09/2005

Duas semanas

A primeira semana sem você passou rápido. Pensei que fosse viver alguma coisa parecida com o "só por hoje" dos AA ou NA, mas foi mais fácil. Bem mais. Pensei que também que fosse acordar "mais cansada que sozinha", mas não. Nem cansada, nem sozinha. Aliviada.
Duas semanas hoje e eu já juro que já perdi as contas. Já me perguntei se faz uma, duas ou três semanas - aí decidi registrar. Hoje lembrei da história como um filme. Filme mesmo, daqueles que a gente vê no cinema. Não que o roteiro seja bom. Parece que eu estava assistindo à projeção sem interferir nas cenas. Eu me emocionava, sofria, sentia, entendia, mas não participava. Sabe um filme que incomoda de tão longo, emocionante, profundo... e sem ação? Assim. E aí eu percebi que... já que não dava para participar da cena... eu tinha a opção de sair da sala. Saí.  (Aqui chove e faz frio, mas ainda é melhor que o desconforto da sala).

Escrito por Chica às 01h09
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03/09/2005

Um olhar que eu vi...

... me olhava como se me entendesse, como se se encantasse. E eu gostei. :-)


Escrito por Chica às 19h08
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Não ponha o dedo na nossa ferida

Olha, não quero falar de política. Não quero falar da estrela. Não quero. Sim, ela ainda está no meu espelho. Ainda guardo alguma esperança - desiludida. A minha esperança é quase alguma coisa desaparecida. Mas não me obrigue a falar sobre isso. Ainda não. É que "tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu". E é assim. Respeite o meu luto, a minha tristeza, a minha quase desesperança, a minha bandeira dobrada. Meu partido está quase como Itabira... uma fotografia na parede. "Mas como dói".
Escrito por Chica às 19h05
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31/08/2005

casa do sábado depois da feira

A casa cheirava a guardada, como gaveta esquecida. Como se a vida tivesse ido morar em outro lugar há muito tempo. Como se lá sobrassem apenas boas lembranças. Ou apenas lembranças. E como se as lembranças não fossem tantas para preencher os lugares da mesa, as poltronas, o sofá. Como se o quadro já fosse inútil. Como se a foto sumisse de tão desbotada. A casa cheirava outros tempos, felizes talvez. A casa caiu na indiferença. Como se a indiferença gerasse o esquecimento. A casa queria esquecer.

Escrito por Chica às 00h01
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25/08/2005

Se eu insisto nesse tema...

Ouvi o cd que você me deu. Tenho coisas tão grandes/lindas/complexas/pensadas pra dizer. Será que você imagina como seria se. às vezes?

Eu vou te esquecendo de manhã em manhã... como era? tomando guaraná e ouvindo a Elis? :-)


Escrito por Chica às 00h31
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11/08/2005

o tédio era eu

"O mosquito me picou depois morreu"

 


Escrito por Chica às 23h38
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30/07/2005

E o dono da Tabacaria sorriu

Hoje me sinto melhor como se o Esteves tivesse passado por aqui e acenado um Adeus português.  O sol, o Tejo, as ruínas do castelo, aquela paisagem. Por que a melhor imagem eu não fotografei? Mas eu me lembro e talvez até conseguisse voltar. Será? Ou nunca voltarei porque nunca se volta? Era no alto, um muro baixo, toda a cidade e o sol que refletia no Tejo. E aquilo é o Tejo? Peguei o bonde, voltei, as ruas estreitas, de pedra, as curvas, as paradas. A esperança. Não esquecer. Mas o sino da minha aldeia não é aquele. O bonde? Não há bondes. Nem esperança. Sou estrangeira e carrego comigo versos drummondianos, minhas prosas claricelispectorianas. É tudo. Volto para casa pálida e ainda não sei se estou sofrendo ou se é alguém que se diverte. "Por que não?". Sou triste, orgulhosa, de ferro. Sou inquieta, áspera e desesperançada. E essa mistura me esgota. Mas também sei que vou experimentar um dia o delicado da vida. Penso nisso, muitas vezes, antes de dormir. Penso também outras coisas, nada menos confuso. E para ter paz volto a Pessoa. Fiz isso hoje, senti uma paz... "E o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança". (Ele tinha bonde, mas a esperança já não havia).
Escrito por Chica às 23h56
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26/07/2005

Hino do Brasil (ironias)

O Brasil, bem, o Brasil. Tem jeito? Não creio. O que vem depois do fim da última esperança? Eu me lembrei do Brasil ao ouvir essa música. E que ironia. O bêbado e a (esperança) equilibrista.

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordéu
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco louco!
O bêbado com chapéu torto
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil que sonha
Com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora, a nossa pátria-mãe gentil
Choram Marias e Clarices
No solo do Brasil
Mas sei que um amor assim pungente
Não há de ser inultimente
A esperança 
Dança na corda-bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar

 


Escrito por Chica às 00h07
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25/07/2005

Arnaldo Antunes já dizia

o buraco do espelho está fechado

agora eu tenho que ficar aqui

com um olho aberto, outro acordado

no lado de lá onde eu caí

 

pro lado de cá não tem acesso

mesmo que me chamem pelo nome

mesmo que admitam meu regresso

toda vez que eu vou a porta some

 

a janela some na parede

a palavra de água se dissolve

na palavra sede,

a boca cede antes de falar, e não se ouve

 

já tentei dormir a noite inteira

quatro, cinco, seis da madrugada

vou ficar ali nessa cadeira

uma orelha alerta, outra ligada

 

o buraco do espelho está fechado

agora eu tenho que ficar agora

fui pelo abandono abandonado

aqui dentro do lado de fora


Escrito por Chica às 12h51
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